QUANDO AMAR É VERBO INTRANSITIVO
É possível um verbo transitivo ser entendido ou interpretado como intransitivo? É a ideia, por Mário de Andrade sugerida, em “AMAR VERBO INTRANSITIVO”, seu primeiro romance.
Essa obra, escrita no estilo modernista, nos remete à São Paulo de cem atrás, naquela época, meados dos anos vinte, terra da garoa e do conservadorismo quatrocentão.
Seria normal e corriqueiro naquele contexto, Elza, uma alemã de trinta e cinco anos, culta, manter um romance com um adolescente de quinze anos, filho de família burguesa paulista?
A Fraulein Elza foi contratada para dar aulas de piano e ensinar “coisas da vida” ao adolescente Carlos. Com o decorrer do tempo ela conquista a família. Envolve-se na rotina da casa e vai seduzindo Carlos. O relacionamento entre os dois torna-se cada vez mais íntimo e ela acaba por iniciá-lo no “mistérios da sexualidade”.
A senhora Souza Costa percebe o que estava acontecendo, e de sua pressão resulta o rompimento. É o epílogo daquele romance de amor, e Fraulein deixa a casa definitivamente.
Quanto ao título da obra, do ponto de vista da gramática, amar é um verbo transitivo pois exige complemento. Quem ama, ama alguém, ou alguma coisa. Um verbo intransitivo não exige complemento pois seu sentido já é completo. Mas, para Mário de Andrade o amor verdadeiro é um fim em si mesmo; quem ama de verdade não necessita de um objeto, pois o simples ato de amar já o completa. Assim o autor entendia o amor entre Elza e Carlos.
Esse romance deu origem ao filme LIÇÃO DE AMOR, dirigido por Eduardo Escorel em 1975, com Lilian Lemmertz, Irene Ravache e Rogério Fróes no elenco.
Vale a pena ver o livro e o filme.
Por Gilberto Silos
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