Sabores do Tempo transforma rodas de conversa em espaço de escuta, memória e ação em Perus

Sabores do Tempo transforma rodas de conversa em espaço de escuta, memória e ação em Perus

Rodas de conversa gratuitas transformam a cozinha em espaço de escuta, memória e fortalecimento comunitário.

Coletiva Tempero de Oyá promove roda de conversa em Perus sobre Racismo Alimentar

Sabores do Tempo – Foto Caio Resende

Na Zona Noroeste de São Paulo, em Perus, a cozinha tem sido ponto de partida para reflexões que vão além do prato. O projeto Sabores do Tempo – Conexões Entre o Saber e o Fazer, realizado pela Coletiva Tempero de Oyá (@temperode_oya), vem reunindo moradores e interessados para discutir alimentação, território e justiça social por meio de rodas de conversa gratuitas com tradução em LIBRAS.

Os dois primeiros encontros já indicam a potência da iniciativa. Na abertura, realizada em fevereiro, 16 pessoas participaram da roda “Nutrição e Saúde”, com Valéria Pássaro, que é educadora social com pesquisa em desenvolvimento infantojuvenil e estudos em alimentação e saúde com base naturista. A conversa partiu de experiências cotidianas para abordar a alimentação como um direito e também como expressão cultural. Entre relatos pessoais e trocas coletivas, o grupo refletiu sobre acesso à comida de qualidade, hábitos alimentares e os vínculos entre saúde, memória e afeto.

No segundo encontro, em março, 18 participantes se reuniram para a roda “Soberania alimentar: plantar e colher”, conduzida pela bióloga Bruna Macedo. O debate trouxe à tona a importância das hortas comunitárias, da autonomia alimentar e da reconexão com os ciclos naturais dos alimentos. Questões como o acesso à terra, a produção local e o fortalecimento de práticas sustentáveis foram centrais, apontando o cultivo como uma prática política e de resistência nas periferias.

Ao propor esses encontros, o projeto cria um espaço de escuta e troca de saberes que articula vivências individuais e coletivas. A cozinha, nesse contexto, deixa de ser apenas um lugar de preparo de alimentos e se torna um ambiente de formação, memória e mobilização comunitária.

Sabores do Tempo – Foto Caio Resende

A programação segue no dia 18 de abril de 2026, às 15h, com a roda de conversa “Racismo alimentar”, na Comunidade Cultural Quilombaque, conduzida pela chef e sommelière Dani Souza. O encontro deve aprofundar o debate sobre como desigualdades raciais impactam o acesso à alimentação de qualidade, além de discutir representatividade e os atravessamentos do racismo estrutural no sistema alimentar.

Contemplado pelo Programa VAI 2025/26, o Sabores do Tempo propõe uma reflexão crítica sobre a forma como a alimentação é entendida, valorizando seus aspectos simbólicos, culturais e políticos. A iniciativa aposta na chamada gastronomia dos afetos como estratégia de fortalecimento comunitário, especialmente entre mulheres periféricas, que historicamente encontram na cozinha uma ferramenta de autonomia e geração de renda.

Ao final do ciclo, será produzida uma cartilha colaborativa com conteúdos e reflexões desenvolvidos ao longo das atividades, ampliando o alcance das discussões para outros territórios.

Com encontros que crescem em participação e profundidade, o projeto reafirma a importância de pensar a comida não apenas como consumo, mas como um elemento central na construção de futuros possíveis nas periferias.

Sabores do Tempo – Foto Caio Resende

Sobre a Coletiva Tempero de Oyá

A Coletiva Tempero de Oyá foi criada em 2015 como homenagem à horta de Dona Iracema, em Perus, e à ancestralidade ligada a Iansã.

“A ideia era criar um coletivo que ensinasse o plantio e o preparo dos temperos, sabe? Um espaço onde a gente pudesse compartilhar o fazer com as mãos e também as histórias que vêm junto com cada receita. E aí esse prazer de ensinar, de contar as memórias dos nossos ancestrais dentro da cozinha, foi crescendo, foi ganhando corpo e hoje damos continuidade ao legado de vó Iracema.”

Desde então, a coletiva realiza ações sociais com distribuição de marmitas, oficinas para jovens, formações no Sesc SP, cursos na própria Quilombaque. Em 2024, o projeto recebeu o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) na Comunidade Cultural Quilombaque para um encontro sobre a história da cultura alimentar afro-brasileira.

Informações: https://www.instagram.com/temperode_oya/
Teaser: https://www.youtube.com/watch?v=qZLWux8Ye_0

 

Sabores do Tempo – Foto Caio Resende

Serviço: Projeto Sabores do Tempo – Conexões Entre o Saber e o Fazer
Realização: Coletiva Tempero de Oyá
Próxima atividade: 18 de abril de 2026 (sábado), às 15h – Roda de Conversa “Racismo alimentar”, com Dani Souza

Local: Comunidade Cultural Quilombaque – Tv. Cambaratiba, 05 – Perus, São Paulo – SP, 05202-010
Entrada: Gratuita – Inscrições no local. Acessibilidade: Tradução em LIBRAS

Assessoria de Imprensa – Luciana Gandelini – WhatsApp 1199568-8773 – luciana.gandelini@gmail.com

 

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