Tudo o que há para ser dito está em versos
Hoje a introdução é sucinta; tudo o que há para ser dito está em versos. O texto a seguir é a abertura de uma aula sobre métrica poética. Claro que se trata apenas de uma introdução, e ainda há muito mais a aprender. Particularmente, gosto muito de escrever dentro das métricas. Respeito e admiro outras formas de expressão, mas, se existe uma virtude muito admirada na arte, esta é a poesia.
Cordel é escrita poética
Do tempo dos menestréis
Que lá na idade média
Se conhece seu viés,
Pois chegando o advento
Do breve renascimento
Foi impresso em papéis.
Então é chamado assim
Por razão especial
Pode parecer estranho,
Porque é algo trivial.
Esse nome foi proposto
Porque o tal era exposto
Pendurado em varal.
Cada verso se escreve
De maneira bem icônica
Com a métrica específica
Que para o poeta é canônica
Em toda estrofe tua
O verso acaba com a sua
Última sílaba tônica
É sempre feito no maior
Dos versos da redondilha
Pelo que chamamos métrica
Podem ser quadras, sextilhas
Martelo agalopado
De um jeito alternado
Também feito em septilha
A quadra já diz pelo nome,
A- Também chamamos de trova,
Quatro versos, sete sílabas
A- Pra você vê tá aí a prova
Essa é muito usada
A- Todo mundo compartilha,
A métrica e o cordelista
A- São o caminhante e sua trilha.
Com seis versos sete sílabas
A- Formamos uma sextilha
Então lá vem a septilha
A- Onde nasce obras primas
É um grande desafio, pois
A- Nela temos duas rimas
B- Onde a gente se diverte,
B- Da rizada, pinta o sete
A- Como luta de esgrimas
A- Sete sílabas, dez versos
B- É outro jeito de fazer
B- Cordéis pra se escrever
A- É um dos meios mais diversos
A- De buscar mais universos
C- E corações poder tocar
C- Com causos pra provocar
D- Pode parecer difícil
D- Mas prática e exercícios
C- Vão te ajudar a focar
A- A décima e sempre grande desafio
B- Dez versos que de sílaba tem dez
B- Como corrente de vários anéis
A- Ou rendeira rendando de fio a fio
A- Descendo como águas de um rio
C- Levando um barqueiro a navegar
C- Com seu barquinho valente a remar
D- Vencendo a correnteza rio acima
D- Igual cordelista fazendo rima
C- Feito quem canta na beira do mar
William Prado
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