Córdoba mais uma vez…

Córdoba mais uma vez…

Agora dei de sair por aí, sem rumo, com uma mochila, como se fosse o meu último dia a respirar no planeta. Aproveito cada passo como se fosse o último a sentir a Mãe Terra, aquela que me acolhe e me planta em suas entranhas. Amo esse Planeta e gosto de aqui viver, temporariamente. Afinal, somos substancias das estrelas e podemos morar em qualquer lugar da galáxia. De agora em diante vou andar mais, vou percorrer os caminhos mais inusitados, vou ver mais o sol nascer em lugares que não conheço e a lua entrando pela janela dos meus olhos, com a mesma intensidade. Esse impulso repentino vem de uma necessidade de me aventurar, depois do meu amigo Pena de Bambu me chamar carinhosamente de Beth Aventureira.

Perdi o medo de viajar de avião – há algum tempo fui acometida por esse medo e desisti de viajar por muitos lugares, mas resolvi enfrentar o medo e tentar mais uma vez e foi tão tranquilo que até estranhei. Gosto de enfrentar os meus medos, porque tenho aversão a covardia. Saí do aeroporto de Guarulhos rumo a Córdoba, na Argentina. Foram três horas de viagem e sem nenhum medo, pelo contrário, experimentei uma viagem muito agradável e prazerosa.

Quadro pendurado no refeitório do Hotel

Estive em Córdoba há muitos anos atrás, mas desta vez, só me hospedei na cidade para conhecer outros municípios, cidades serranas no entorno. Como fiquei uma semana por lá, andei em Córdoba por 2 dias: No primeiro, andei pelo centro para trocar dinheiro e comer um delicioso Lomito e no outro fui almoçar num Hogar de anciones, onde moram as freiras amigas da minha irmã e que cuidam do Hogar. E nos outros três dias, sai para conhecer as cidades serranas. Consegui passear por três delas: Fui para Alta Gracia e Villa de Carlos Paz, de ônibus – depois fui de trem para Cosquim. Vou contar depois, todos os detalhes dessas viagens pela região serrana. Em Córdoba tem dois terminais de ônibus, um mais antigo e o Terminal 2, o bicentenário que é novo e de onde saem os ônibus para os municípios vizinhos. É bem espaçoso e muito moderno. Eu amei ir nesse terminal e tem um Western Union que fica ali dentro, facilitando muito. Lá tem várias lanchonetes onde tomei café por la tarde todos os dias, com medialunas, tostados e empanadas e um dia, almocei e jantei ao mesmo tempo, no terminal. Ali perto fica uma estação de trem, chamada Mitre.

Terminal Bicentenário

Córdoba é muito diferente de Buenos Aires…o povo é muito mais simpático, acolhedor e atencioso e quando sabem que a gente é do Brasil, ficam encantados e começam a elogiar o Brasil com tanta ênfase, que a gente fica até sem jeito. E todos querem visitar o Brasil ou já visitaram e o lugar mais frequentado é uma tal de Bombinhas que nem eu conheço. Depois vi que é em Santa Catarina e muito frequentada por turistas. Fiquei muito curiosa.

Entre cubanitos e abrazos

Quando estive em Córdoba da outra vez, conheci vários lugares, por isso dessa vez, foi menos, mas o pouco que andei pela cidade, até fiz amigos, porque realmente eles gostam dos Brasileiros.  Só para citar, estava eu procurando, no primeiro dia, um WU para pegar dinheiro e não sabia onde encontrar, mesmo com a orientação do recepcionista do Hotel. Saí da rua Salta onde me hospedei e fui para a Avenida Sarmiento e parei numa banca de revista onde o dono começava a fechar. Perguntei onde encontraria o WU, ele então, na maior da boa vontade, me disse para esperar fechar tudo que me levaria até o Mercado Municipal, onde provavelmente teria. Esperei e então fui andando com ele, poderia ser perigoso caminhar com um desconhecido, mas senti uma boa energia nele. No mercado, o segurança informou que não tinha e explicou onde encontraríamos. Então ele me levou até o endereço informado pelo segurança e quis saber se eu havia memorizado o caminho, senão me levaria de volta – mas eu memorizei bem. Nunca imaginei que no primeiro dia, encontraria uma pessoa tão boa e gentil pelo caminho. Ficamos amigos, voltei à banca outro dia, para comprar uma revistinha. Outra amiga foi a Leona, tão bela e tão amarela e preta, que me encantou, as amigas freiras que cuidam do Hogar e as senhorinhas que moram no Hogar que queriam saber tudo de mim e do Brasil – foi encantador.

Andei muito de uber, para ir até o Terminal e outros lugares. Um dos motoristas, sabendo ser eu brasileira, queria conversar muito. Na verdade, era um paraguaio e foi falando pelos cotovelos sobre o Brasil. No semáforo, ele comprou um pacote de cubanitos, que são uns canudinhos recheados de doce de leite, uma delícia e queria que eu experimentasse um. Quando chegamos ao destino, ele desceu do carro e me deu todos os cubanitos que restavam. Eu disse que não precisava, mas insistiu muito dizendo que era diabético. E me deu um abraço tão acolhedor, que me senti sem jeito quando disse: “vaya con Dios”. Tive uma boa impressão das pessoas de Córdoba.

As comidas

A comida na Argentina é deliciosa e a carne, é o carro chefe, sempre acompanhada de batatas, porque não se come arroz e feijão lá, essa dupla é brasileira, maravilhosa.

No primeiro dia, comi um delicioso Lomito por la tarde e nos outros dias, a carne, as batatas, as empanadas, as medialunas, tudo uma delícia. Viver é delicioso, na maioria das vezes.

As cidades serranas

Depois vou escrever com detalhes sobre cada uma das cidades que visitei na serra, foi emocionante. Aguarde!

Elizabeth de Souza
Mochileira das Galáxias
240926

Enquanto viajava, minha sobrinha Q. L. se lembrava de mim andando por aí e vinha a sua cabeça, a música abaixo:

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Sobre Elizabeth Souza 470 Artigos
Elizabeth de Souza é coordenadora e editora do Portal Entrementes....

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