Cocada da Baia

Cocada da Baia

Nas chamadas giras de Umbanda, existe uma linha de entidades conhecida como “baianos”. Um amigo, músico e compositor, escreveu uma canção — os popularmente conhecidos “pontos” — para o momento da manifestação dessas entidades. Com base nessa canção, preparamos juntos algumas intervenções que abordavam a musicalidade e a poesia. A partir desse trabalho, criei este cordel que fala sobre a magia que envolve essa cultura e seus elementos, como as comidas servidas durante os rituais. Além disso, destaco o jeito extrovertido das entidades manifestadas que, com irreverência, mas sem perder a solenidade do momento, levam as energias pesadas, purificam as almas e vencem demandas.

Cocada da Baia

 

Como vai gente bonita

Gente boa trabalhadora

Povo honesto, sincero

De alma acolhedora

Eu fico muito contente

Dessa gente reluzente

Dos deuses adoradora

 

Aqui estarem presente

Com seu coração honroso

Mulheres tão elegantes

E uns homens muito cheiroso

Não me entenda errado

E que sou meio exagerado

E um pouquinho mentiroso

 

Mas também sei falar sério

Tanto sei que não só falo

E lhes trago de coração

Um pequeno regalo

Que Vale preço de ouro

Vem do baú do tesouro

Não tem como não o amá-lo

 

Como diria o poeta

E até hoje se entoa

Tem da preta, tem da branca

E quem prova não enjoa

Essa é feita na Bahia

Vem com axé e alegria

E um querer ficar atoa

 

Tu pode até dizer

Mas isso não é quase nada

É só um docinho qualquer

Bananada, goiabada

É tudinho feito igual

Não! Essa é especial

Vem duma fonte sagrada

 

Não é papo de vendedor

Pode ter certeza disso

É produto natural

Não leva nenhum feitiço

Bem, pelo menos eu acho

Quem já viu água em cacho?

Ou namoro de ouriço?

 

Na Bahia acontece

É o segredo do doceiro

É o vento que balança a folha

Pé descalço no terreiro

Se banhar na água sagrada

Mas o segredo da cocada

É onde se cresce o coqueiro

 

William Prado

 

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