A Carona

Por Milton T. Mendonça

O Domingo, como era usual atualmente, nasceu chuvoso e triste. O casal estava se aprontando para mais uma viagem. Desde que haviam combinado as férias a cada dois meses o casamento tinha melhorado cem por cento. Em janeiro eles foram para o Paraná, ficaram por uma semana hospedados em um hotel cinco estrelas, no centro de Curitiba. Voltaram felizes, descansados e não haviam brigado nenhuma vez desde então.

Esta experiência os deixavam felizes. Reservaram hotel na serra gaúcha e para lá iam com um roteiro cheio de vinhos, queijos e quitutes variados. Era um retorno no tempo, na época da imigração. Sairiam de madrugada – “a melhor hora para se iniciar uma viajem” – como dizia o marido. A esposa pegara para si a responsabilidade de abastecer o carro, o deixando livre para finalizar qualquer negócio que não pudesse esperar. Esse fora o combinado desde o princípio.

A noite desceu sobre a cidade a tempo de ver o casal fechar a última mala, jantar e ir para a cama. Pretendiam permanecer na estrada o maior tempo possível no dia seguinte. Caxias do Sul, a primeira parada, estava bem longe, quase vinte horas de distância.

Foi no entardecer. Pararam para esticar as pernas e tomar café em um restaurante de beira de estrada que incluía em seus serviços um posto de gasolina. O dia fora divertido apesar de terem se alimentado no carro, conversaram bastante, ouviram musica e redescobriram antigos motivos para estarem juntos. Alguns quilômetro depois o automóvel começou a tossir, haviam esquecidos de colocar combustível.

A impossibilidade de ficar na estrada a noite toda era óbvia, o perigo era evidente. Decidiram que o menor risco seria a esposa pegar uma carona e retornar ao restaurante. Pararam um caminhão e, após as explicações, o motorista se prontificou levá-la. Ela subiu na boléia e partiram.

O banco de couro, macio e anatômico, a surpreendeu, esperava encontrar um local algo desconfortável como os caminhões que conhecia, no entanto, se deparou com um pequeno apartamento decorado com bastante conforto. Absorta em sua contemplação não percebeu que seu vestido subira bem acima dos joelhos deixando a mostra além das coxas alvas e bem torneadas uma ponta da calcinha.

Espantada com os detalhes incorporados a cabine, somente percebeu o olhar fixo do homem quando se voltou em sua direção em busca de esclarecimento. Depressa baixou os olhos se deparando com a situação constrangedora. Sentiu seu rosto queimar. Sem pensar, tentando fugir ao olhar insistente do individuo ao seu lado, se deparou com o enorme volume entre suas pernas. O movimento em direção ao vestido, que se iniciara, parara no ar. Uma descarga elétrica descera pela sua espinha esquentando seu baixo ventre, ao mesmo tempo em que uma sensação gelada se instalava no estômago a deixando sonolenta. Sentia desfalecer.

Seus olhos se encontraram e ouviu os pneus rangerem no asfalto quando o motorista puxou a alavanca do freio. A estrada deserta, àquela hora, surpreendeu-se com o movimento brusco do bólido que se jogou para fora da estrada estacionando seu enorme peso próximo ao meio fio.

Sem pestanejar o chofer enfiou a mão no meio das pernas da mulher afastando a calcinha e enterrando o dedo rígido em sua caverna úmida e macia. Um frêmito de prazer percorreu seu corpo paralisado. Ele baixou o encosto do banco e a deitou na cama improvisada, a penetrando com força. Findo alguns minutos tudo se acabou, deixando os dois, um sobre o outro inerte.

Confusa abriu os olhos e a primeira imagem que viu foi o rosto do marido sorrindo a chamando pelo nome. Sorriu de volta tensa. O sonho a deixava nervosa.
-Vamos! – falou o marido – Caxias do Sul nos espera! Desta vez não vai faltar gasolina.
Ainda sorrindo ela balançou a cabeça. Sabia que não deixaria isto acontecer.

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será publicado.


*