A Monareta – Cordel

A Monareta – Poema

Pode ser que alguém considerado hoje um “40+” conheça a palavra “Monareta” logo de primeira, mas, para os que não conhecem, esse é o modelo de uma bicicleta antiga. Este cordel — ou escrita em poesia, pois não me preocupo com rótulos — retrata a vida de uma criança pobre, no caso eu. Dentro de um mundo sem internet, brinquedos caros ou qualquer coisa eletrônica, vivi feliz sem saber. A velha bicicleta é a minha máquina do tempo; viajo nela quando preciso me lembrar de momentos bons e de que há poesia em tudo na vida.

 

A Monareta

Não sei mais onde ela está,

falta de vergonha minha.

Colado nessa moleca

Tão simplória, tão feinha,

Sem ter eira nem beira

Doídos, nós dois na ladeira

Quanto amor a gente tinha

 

Fico rindo quando me lembro

Eu mais quatro pestinhas

Amarramos na garupa

Um caixote com rodinhas.

E acabou como esperado

Tombo, asfalto e ralado.

Nós a bike e a vizinha

 

Resolveu-se tudo em casa

Nem precisou de hospital

Meu pai prestou assistência

Quase de profissional:

De baixo de uma boa ducha

Esfregou-me com bucha,

Limão e água com sal

 

No cantinho, a monareta

Parecia que sorria

Sem mexer um parafuso

Do pior me protegia

Fosse de segunda linha

Com a lata mais fininha

Bem pior eu estaria

 

Mas moleque é mesmo fogo:

Não sabe ficar parado

Já fui logo pedalar

Mesmo todo machucado

A bicicleta valente

Não parava na corrente

Nem com o freio quebrado

 

Mas o tempo passa rápido

E ai, a gente envelhece

De um jeito bem natural

Que todo mundo conhece

Ficando sempre a lembrança

Um bom tempo de criança

Que às vezes reaparece

 

Onde foi que te perdi?

Depois de jornadas duras

Em algum porão qualquer

Entre tantas travessuras

Entre ruas, parques, matas

Éramos 2 vira latas

Curtindo 1000 aventuras.

 

William Prado

Imagem retirada do https://www.facebook.com/BlogDasMonaretas

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1 Comentário

  1. Nunca tive uma Monareta, mas tive uma Ceci cor de rosa e muitos tombos. Esses dias atrás meu irmão estava rindo de mim porque lembrou que já fui parar numa valeta com a Ceci…saí da valeta toda machucada e ensanguentada.
    Lindo poema!
    Bem-vindo ao Entrementes!

Obrigada pelo seu comentário!