Gotham – Poema (TBT)
Poema antigo gravado para o CD Cidade das Palavras

Gotham City
Os primeiros raios de sol apontam em Gotham City
A terra de ninguém agora é minha
O meu cinto de utilidades
tem mais apetrechos do que aquele usado
pelo cavaleiro das trevas
A sombra da noite se dilui
E a claridade invade minhas entranhas.
Oh, doce ilusão!
Os três dias que desci aos infernos
me deleitei no gozo dos teus delírios.
Oh, doce ilusão!
Penteias como ninguém meus cabelos em desalinho
com o mais belo pente incrustado de pedras preciosas
Ofereces o colar de 108 contas
ordenando minhas infinitas vidas
nas mais variadas matizes
Ofereces a Pedra de Opala
Que esfrego nas mãos
num gesto terrível de predigistação.
Traz em si, o poder de curar todas as dores do mundo
e o desespero dos homens
Ofereces areia fina
embaçando meus olhos nos momentos de fúria
embalando meu sono e a morte que alivia
num colo quente e macio
Só me faltou roubar-te dos lábios
o poderoso mantra
esse, ainda buscarei errante
pelas ruas sombrias e tortuosas
dessa cidade sem alma
Talvez, ainda será dos teus lábios
Que arrancarei sôfrega, o nome indizível
Afinal de contas
no final das 108 contas
sugarei ludibriada
da tua boca malvada
o néctar da descerebração.
Elizabeth de Souza
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