“Cada artista tem sua identidade e linguagem. Não acredito em um mundo onde uma forma é considerada suprema e as outras, secundárias ou marginais. O que há muito faz parte da forma como gosto de escrever são as métricas de escrita — um desafio para quem escreve, pois nos fazem exercitar o poder de síntese e nos obrigam a ser seletivos. Este texto, em formato de soneto, reflete a saudade de um tempo: das culturas ancestrais, das comidas que contam histórias e de uma relação com as pessoas que se mistura ao metafísico.”
Soneto “ancestral”
Como posso sentir quem foi embora?
Quando fecho os olhos vejo sua luz
A reza e a estrada findam na cruz
Vai, vai ficar com deus e nossa senhora
Encher os tachos de doce de amora
Colher dendê e pimenta pro cucus
Sinto aquilo que não se traduz
Palavra que não me lembro agora
Sinto sua falta como o alimento
Ouço seu riso com felicidade
Me molho na água de seu benzimento
E me lembro da palavra… Saudade!
Por isso me perdoe esse lamento
Estou abusando da liberdade
William Prado
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