Vozes das Ruas – Punks/Skins

VOZES DAS RUAS – Punks/Skin

1- PUNKS
Geralmente jovens de classe média baixa que se enquadram, com a tradição das grandes massas de trabalhadores, que necessitam que seus filhos de ambos os sexos entrem, ainda na fase da adolescência, para o mercado de trabalho. (Não necessariamente precisam pertencer a classes menos favorecidas, desde que tenham atitude punk).

– VISUAL
Geralmente cabelos espetados, mal cortados, com cores descoloridos, corte moicano tradicional ou de pinos.
Jaquetas de couro courvin ou jeans com arrebites. Muitas vezes com dizeres ou identificando a qual tribo ou região, pertencem.
Botons nas jaquetas ou nos bonés.
Calças com rasgos nos joelhos ou em estado de precariedade.
Geralmente usam coturno.

– MUSICA
PUNK ROCK, HARDCORE, SKA

– COSTUMES e DIVERSÃO
EM São Paulo, costumavam se reunir na galeria do rock, nas estações de trem, andar em grupos e em alguns pontos das periferias.
Casas de Shows frequentadas na década de 80: Rose bom bom, Napalm, Madame Satã, etc
Sabe-se que, tinham apreço de quase sempre estarem em níveis fisiológicos altos de embriaguez.
Preocupações políticas sociais, influências internacionais eram presentes nas conversas e nas letras das musicas.

– REGIÕES
Estão espalhados por todo o Brasil, mas segundo se falava, os primeiros punks apareceram em São Paulo. Logo surgindo uma rivalidade com punks do ABC Os punks da região metropolitana de São Paulo, parecem despontar em termos de organização.
Fazendo um grande encontro de punks de toda São Paulo, através do show intitulado como “Como começo do fim do mundo”
Onde apesar de alguns atos de vandalismo, não se foi percebido brigas. Tendo sido interrompido pela truculência e estupidez policial. Também da região surge a primeira coletânea de algumas bandas, um dos mentores desse feito era o vocalista da banda Punk Cólera. Também surge a primeira referência feita por o músico e cantor consagrado da MPB…Que ao ser interrogado em entrevista, qual teria sido sua inspiração para compor Punk da Periferia, teria dito:-(vindo de carro de outro estado ao chegar entre a ponte da Casa Verde e a Freguesia do Ó, teria visto a frase que da origem ao título de sua música, escrito em uma placa de trânsito).
É sabido que no bairro Carolina na freguesia, houve uma grande manifestação do movimento. A música que na visão dos punks do ABC, nada tem a haver com o que de fato o movimento representava, mas apenas uma visão caricata.
Enquanto para os punks de São Paulo é vista com bons olhos, como uma espécie de luz sobre o movimento. O autor é o ilustre cantor Gilberto Gil.
Enquanto o movimento no ABC, onde para quem não sabe, ainda nos anos 80, a região era considerada o maior Polo Industrial do Brasil (Citando apenas algumas das firmas ali instaladas) – Volkswagen – karmanguia -Scania-Toyota-Ford-Mercedes-General Motors-Pirelli-Firestone-Brigestone-Philips-SKF – General eletric – Elevadores Otis – Termomecanica – Trw – Cofap – Petroquimica – Sherwlhians – Coral, etc, são apenas algumas das fábricas de complexos maiores, fora as não citadas. Havia ainda, um número razoável de micro empresas e até pequenos sistemas de trabalhos que vinham no bojo da situação .
Naturalmente os Punks do ABC eram mais politizados, onde o assunto empregado e empregador se aprendia desde tenra idade, onde poderia se presenciar vizinhos de portão conversando sobre política com frequência.
Isso também causava uma repulsa por partes desses punks ao mainstreen televisivo, que tinha mais uma conotação pseudo burguesa.
Esse passa a ser, um dos motivos no qual alguns Punks e bandas são taxados de “traidores do movimento”, ao vislumbrar o interesse em se misturar com sistemas desse meio.

2- SKINHEADS

Também em sua maioria que formam esses grupos, provém do proletariado. Diferenciando-se dos punks, há grupos de inclinações de extrema direita que se enquadram em classes sociais de níveis mais elevados

– VISUAL
Cabelos raspados, camisas Polo com suspensórios e calças dobradas acima do cano do coturno.
As garotas são diferentes das garotas punks que usam quase sempre visuais parecidos com os punks – costumam usar saias e calças, corte de cabelo diferentes e uma espécie de boina que não sei exatamente a sua origem, às vezes usam suspensórios e calçam coturnos.

– MÚSICAS
OI, SKA, SPEED ROCK

– COSTUMES E DIVERSÃO
Alterofilismo, Shows de bandas punks, ouvia-se dizer que frequentavam a casa de shows chamado Front.
São, em sua maioria, abstêmio.
Em geral acho que suas preocupações eram mais de ordem regional.
Ampliando essas preocupações e contra ditos “modernismos” de grupos, encontra-se uma ala mais radical que se intitulam de White Powers.

– REGIOES
Os Skins do ABC, se reuniam em grandes grupos no período noturno, no Paço Municipal de Santo. André, onde também já houve shows de bandas OI, durante o dia.
Sabe-se, que gostavam de se reunir na última estação de trem, mais precisamente na cidade de Paranapiacaba.
Já na zona leste, se encontravam os carecas do subúrbio, mais precisamente no Tatuapé.
Não sei ao certo até que ponto se dava algum tipo de intercâmbio sobre esses 3 grupos: Skin, White Powers e Carecas do Subúrbio.
Os White Powers, geralmente estavam atuando contra judeus, passeatas guys, ou sobre algum comércio que iria de encontro aos seus ideais. Esses podiam ser vistos ao redor da região central de São Paulo. E também pelos jardins (região nobre de São Paulo).

E necessário dizer que todas essas informações foram absorvidas por mim no decorrer dos anos, portanto pode haver alguma pequena diferenciação em uma pesquisa feita através de material de registro.
Se bem que a imprensa marrom, da TV aberta da época, sempre pendeu a balança para o lado negativo.
Embora tenha sido movimentos juvenis, com o mote da violência, isso é inegável, mas eram jovens trabalhadores que opinaram sobre como o mundo estava mal das pernas e talvez tivessem a violência como algum desapontamento de uma classe dominante alienada e decisões políticas muito aquém do esperado.

Cláudio P.

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Sobre Cláudio Pereira 8 Artigos
Cláudio Pereira conta histórias e escreve sobre as cenas culturais dos anos 80, do Movimento Punk na Grande São Paulo. Nasceu em Santo André e viveu lá até os 20 anos, hoje mora em outro estado. Acredita na Democracia, mas enxerga a política com os óculos da Anarquia.

1 Comentário

  1. Parabéns, excelente texto!
    Estou aprendendo muito com as suas experiências da Cultura Punk em São Paulo, nos anos 80.
    Abraço!
    Elizabeth

Obrigada pelo seu comentário!