Enfermagem – Por William Prado
Nessa escrita poética, me refiro ao chamado trabalhador raiz, aquele que coloca a mão na massa sem medo, gente sem maquiagem, com o cabelo amarrado de forma rústica e com os sentimentos à flor da pele. Quem trabalha no chão de um hospital, em casas de acolhimento de idosos ou em instituições ligadas à saúde mental sente o desgaste físico e emocional decorrente dessa profissão. Sei exatamente o que é sentir isso; esses versos foram vomitados em um momento daqueles em que o poeta não suporta sua ânsia e, quando vê, tudo já está na folha de papel.
Enfermagem
Gratificante, difícil
Feita pra quem tem coragem
Ser no jogo um peão
Trabalhando sempre a margem
Como na proa do navio
Sentindo a onda e o frio
E viver de enfermagem
Se aprende que um leito
É lugar de igualdade
Para qualquer ser humano
De qualquer cor ou idade
Por que toda dor é igual
Se percebe que é mortal
E o que ama de verdade
Prosseguimos na missão
Prestar carinho e cuidado
Pra qualquer irmão doente
Por demais necessitado
Pois nesse mundo todo
Precisamos um do outro
Partilhando nosso fardo
Nos ajuda a aprender
Os mistérios dessa vida
No momento da chegada
Na hora da partida
E que sorriso e alegria
É um vírus que contagia
Tratando alma e ferida
Um caminho tortuoso
Trilha essa profissão
Nem tudo acaba bem
Quando termina o plantão
Pois me diga quem é que gosta
De ficar com dor nas costas
Pressão alta e depressão
O salário desse povo
Da vontade de ir embora
Parece uma cebola
Que quando se abre chora
Então sem pedir arrego
Tem que ter mais um emprego
Ou então pedir esmola
Pela luta que travamos
Pouco se é reconhecido
Pelos erros cometidos
Precisamente punido
Pra quem vive nesse ramo
Pode não ser tão humano
Parco erro cometido
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