O Livro Ouro das Formigas
Leiam este poema de Edu Planchêz!!!
Eu li de uma vez e me pegou de jeito, achei que era algo curto, mas ele mergulhou profundamente. E eu quase sem fôlego mergulhei quase sem ar. Desci ladeira abaixo com este poema. Leiam! O livro está em algum blog.
Quem dera eu com grana editaria estes livros dourados de Edu Planchêz.
Joka Faria
16 de julho de 2026. Amanhã 17 completarei 57 anos mágicos nesta dimensão.
O LIVRO OURO DAS FORMIGAS ( leiam )
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( edu planchêz pã maçã dylan silattian caramuru )
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as palavras riscadas com as unhas dos olhos
nessa superfície plana e obtusa, corroem o artefato,
o monolito, a pedra angular da elevação
novamente na frente de uma platéia,
de uma turba, dum bando,
dum séquito, duma manada,
da platéia içada pelos sons,
pelos movimentos do corpo meu bailarino,
o feitio do poema antecede a cena
ora vista por todos os presentes…
algum de vocês conhece e desconhece
o giro único da serpente…
eu que não jorro atoa as minhas cenas,
agora estou a jorrar
“as formigas são mensageiras do universo,
trazem consigo a mensagem de que é hora de evoluir
e adaptar-se às circunstâncias”
se alguém dormisse nas asas da formiga verde brilhante
conheceria meus girassóis,
se meus girassóis alcançassem
tuas pequeninas estrelas de purpurina,
teria mais dança em nossos beijos
as formigas
se entocam nas casas tropicais,
tropicalistas,
sempre que no oco da casa
estiver no foco a suada guitarra
ouvi dizer que formigas tremem
no meio dos absurdos,
no meio das poças,
no centro das coisas que andam
formigas nunca tremem porque são formigas
embrenhadas no orvalho,
empastadas nos alabastros
das envergaduras das portas, dos portais…
formigas nunca se esgotam nas cores
dos tonéis das cores das chuvas
e dos raios
formigas crescem em ovos, viram larvas,
em gens nascem e morrem nos sopapos da terra,
e sobem pelas correntes dos braços dos caminhantes
noutro dia, sendo formiga,
observei madame crystais roer a roupa da majestade,
postada sobre as latas de paris…
lambendo o mel vivo de luxemburgo
portais, abram-se…
serpenteiam imagens,
há uma estrela de extremas pontas
postada no lado cósmico da casa,
ao lado extra sensorial da mente…
remetido sou…
ao
lumem eu…
lumem você…
lumem…todos que comem flores…
o poema puxado pelas formigas
evoca das reservas matutas
os sonhos que o homem da cidade
parou de ter por distração,
eu confesso que eu fui um deles
preta pedra
parda onça
centopéia
mico sultão
dos quintais
e dos muros
eu formiga a bordo duma barca,
nos linhos, nos couros,
nos traços e nos fiapos,
aos pés do viajante estelar
evoco das palavras o domínio,
o dom bem pequeno de avoar ao amor meu,
e lhe contar o que ouço das madrugadas
formigas,
o dom pequeno de rimar
minhas loucuras com as loucuras tuas
eu formiga caminhando pelos grãos-flocos-de-neve
bucetinhagelo se apoquenta
pelo lar dos novíssimos bhudas da jacarepaguá profunda,
quenturas do ferro e do ouro se elevam para nos fundir,
e num mesmo bloco tocamos o pandeiro e o cavaco
nos arcos da lapa dos ermitões candongueiros
das danças do jongo
( pelas portas do circo voador,
nos corredores da fundição progresso…)
é o dançar das formigas rancheiras da lapa
levanto a flauta e o clarinete
até o bico da boca…
enquanto a turba chega mais perto,
pessoas, seres, um do lado do outro,
sem quebrar a corrente de ouro
que somos nós,
não mais que nós, formigas
na jornada de zil milhas o séquito das voadoras se apropria dos espaços
que há entre o cognoscível e o não cognoscível,
para elaborarem os planos de erguerem um formigueiro,
onde caiba um poço de petróleo e as muralhas de jericó,
formigas são megalomaníacas,
abarcam em suas metas inventarem um novo mundo,
destruindo ou não esse
elas são formigas que não passam de formigas,
de viventes profundos da floresta inimaginável,
das paredes impróprias,
dos tumultos, das padarias e dos túmulos…
se acoplam, veraneiam, invernam-se,
copulam no fundo das covas,
elas vivem nas covas, no limbo das folhas esguias,
nas calhas das chuvas,
no pensamento dos que dormem no açúcar,
no melado, na lama das inundações…
e quem ler esse livro, saiba que também é formiga,
saúva faminta comendo a vida das amendoiras e dos cactos,
dos estranhos cactos,
eu também sou um estranho, um estrago,
um esbarro nas costas do tempo
alta mata amazônia, no relógio,
a hora que os condores migram
para circulos azuis dos andes,
na panela, as raizes, na árvore,
as vulcânicas lisergicas tocandiras,
formigas que transformam o rapaz em adulto
de índio raso a índio asseguradamente iniciado
nos comunicantes vasos eu assopro o rapé,
a nuvem de pó de ervas escolhidas pelo pajé
entra pelas ventas do sujeito
e provoca algo mevediço no cérebro,
a medicina indigina expõe sua cura,
o homem recebe dos céus selvagens o alivio
fortes formigas miram a bilha de barro
com seus olhos focais,
eu pego no filtro de barro a água,
eu bebo o líquido que tocou nas tripas das plantas
nas tripas dos peixes sanciono um tratado
que elevará o meu dom de comer frutas…
ao máximo, ao máximo,
ao máximo dom de comer frutas
os termos das águas
há um escrito muito antigo,
escrito por um navegante,
navegante esse que esteve morando
dentro de um formigueiro
casado com a rainha das formigas e suas operárias,
reina esse homem no centro da terra das formigas
o homem saúva
e a mulher saúva..
escurecem o chão durante o voo das tanajuras…
as formigas coabitam os cupinzeiros
lado a lado com aranhas e escorpiões,
validas são as multiplicidades das picadas,
validos são os amores peçonhentos
( nos termos dos insetos )
formigas fósseis patinam nos calores das lavas
formigas escritoras sentadas estão
no centro da mesa
que jack kerouac usa
para ser a plataforma
de sua fábrica de rascunhos…
e com os pés em movimento, elas formigas,
que podem serem mulheres e homens,
determinadas escalam pelos pinos das ruas das cidades
as escadas que levam
aos céus-vitrine-de-todos-os-países
nesse arcenal de valiosos peixes
imagino haver formigas marítimas,
se há baratas por que não existir também formigas?
formigas marítimas se deslocam pelo plumo das ondas
que chegam aos arrecifes
( donde bilhões de gigantes cardumes
se encontram para o namoro, para o desovar,
ou seja, sendo eu o peixe mais veloz a fecundar a fêmea,
óvulos e espermas são lançados nas águas
para no alto mar se tornarem projetos de futuros…
peixes, formigas )
o formigal segue por dentro do mato florido,
eu sigo os que transbordam de delírius,
deixando assim nos visores das pessoas
e das coisas as notórias notas músicais
da canção que ora aqui componho,
ouça, escute, convidado estás
siga as formigas até a figueira estraguladora,
lá encontrará um oco
em que em outro tempo
foi uma outra árvore ( parasitada pela tal figueira ),
me siga, mas antes disso fazer,
se encuba de plantar nos vasos da sala
as sementes dos gatos que hão de nascer
miando que nem formigas
se não compreendes o que aqui digo,
se esforce para sugar dos seios dos livros,
o leite que são letras, que são frases,
que são capitulos, jogos de conhecimento,
armadilhas mentais, quebra das correntes,
risos e choros, abraços e beijos
o frio das formigas se expressa nas formas,
nos formatos que eu escrevo,
e eu ponho na plataforma o gelo do meu estilo,
e vejo as patas das que caminham
nos troncos das árbustos crescidos
se alongando nas linhas da escrita
nos farelos do pão, elas se movem,
nas valetas do pensamento nadam cavalinhas-magras,
peixes dentuços visto por mim
nas varzeas do nosso “novo horizonte”,
“bairrinho” do meu renascimento místico
haviam cascavéis cruzando pontes,
lembro duma delas, eu pus meus pés na ponte,
na outra ponta da ponte havia uma delas,
parei, olhei tranquilo para ela,
ela me olhou e seguiu seu caminho,
e eu segui o meu…
formigas vermelhas miúdas
escalam-me picando-me as pernas,
bulo-bulo nas iscas da pele,
bulo-bulo das ardencias
das milíndricas suburbanas noites
meu ideal,
meu sonho sempre foi ser o poeta que sou e serei,
poeta inséto,poeta canário-coleiro-biquinho de lacre
fronteiriço de montanhas e matas e mares
( reino de tucanos jacarés micos gambás quatís )
( sanhaços grilos andorinhas cabaxirras formigas )
a arueira pimenta rosa,
a figueira gigante
que aqui está desde os tempos de antigamente,
o trem dos embalos dos aqui consomem
os quitutes preparados pela realeza
tudo é reino leve, poço de perfumes,
alexandria madagascar recife pará e angola,
tudo na ponta da língua, da língua da formiga
eu e a minha cabeça,
as preocupações que não passam,
como eu vou falar de paz para as pessoas
se nesse agora eu não tenho paz?
estou mais seguro, bem mais seguro,
as palavras servem mesmo é para esvaziar,
a gente vive cheio de palavras,
arrebentando de tantas palavras,
de muitas palavras, de infinitas letras,
rabiscos, erros e acertos, isso, de erros e acertos,
a gente bem sabe que abrir uma janela
que não deveríamos abrir pode ser um erro,
mas se a janela foi aberta ( por mim ), que assim fique
não posso considerar um erro o ato d’eu abrir uma janela
que jurei para mim mesmo que não mais abriria ( ? ),
que não levantaria mais nenhuma carta,
que não abriria qualquer oráculo
para tentar saber de qualquer coisa,
eu jurei que viria de dentro de mim a bussola,
a seta que guiaria, que guia meus pés…
poeta, não se cobre tanto assim,
esquece esse papo de que você está velho,
cansado e vencido…
vai, acende novamente o fogo e cante “one love”,
volte a ver o filme, veja um bilhão de vezes
e se inspire em bob, bob marley, bob dylan,
se inspire nas formigas,
nas grandes e nas pequenas,
no meio das folhas, no fim do buraco,
nas formigas vermelhas e nas pretas,
das que escalam as nuvens e os penhascos,
das que flutuam sobre as águas das cheias dos rios,
grudadas uma no corpo da outra
formando um barco de salvação coletiva
não estou inventando,
as pessoas sabem do que estou falando,
mas falo de mim,
falando de mim estou falando de você,
pois, pisamos o mesmo chão,
a mesma chuva nos molha,
mas entrando no buraco fundo do ser poema,
podemos dizer que doravante seremos seres de pedra,
imponentes montanhas
sobrevoadas por águias,
condores e formigas
o livro ouro das formigas cabe no bolso de tuas vestes de formiga
essa é a praia onde emergimos os olhos observadores de luas redondas…
as estrelas que daqui vemos se misturam aos peixes e aos corais
com a colher de conchas
apanho colheradas de água de sal,
espalho a água no rosto,
o cloreto de sódio é algo mágico
partículas de ouro compõe o líquido do mar,
os líquidos meus,
e o líquido das formigas ora petrificadas
( pelo sal, pelas centelhas dos astros
das noites que jamais acabam )
eu o escritor,
um dos malabares que tramam cenas,
pelos corredores dos formigueiros
as formigas são insetos eussociais
da família formicidae e,
junto com as vespas e abelhas relacionadas,
pertencem à ordem hymenoptera.
as formigas evoluíram de ancestrais
das vespas vespóides
no período cretáceo.
mais de 13 800
de um total estimado
de 22 mil espécies de formigas
foram classificadas.
formigas são associadas à organização,
disciplina e trabalho em equipe
FORMIGAS
eu formiga com sono,
com sede de visões oniricas,
com fome de ser cinema
pelas calhas das casas sempre faço meus ninhos
se alguém dormisse nas asas da formiga verde brilhante
conheceria os meus girassóis,
se meus girassóis alcancem
tuas pequeninas estrelas de purpurina
teria mais dança em nossos beijos
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( edu planchêz pã maçã dylan silattian caramuru
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