Cachoeira
Me cansei da tanta busca
Me colocando barreira
Me cansei da teoria
Da falsa, da verdadeira
Me cansei de parecer
E quis simplesmente ser
Pra me tornar cachoeira
Não queria mais ser certo
Por minha vida inteira
Queria só o fluxo da vida
Pra vagar na corredeira
Me despir da aparência
E somente ser consciência
Pra me tornar cachoeira
Os homens buscam poder
Como se fosse coceira
Daquelas que da prazer
Rasga a pele, da bicheira
Nos donos de tanta gente
Eu, deito na corrente
Pra me tornar cachoeira
Escorro feito véu
Entre as pedras, pedreira
Como tromba, levemente
Encontro uma maneira
De nunca, nunca parar
E todo dia me encontrar
Pra me tornar cachoeira
Vou conduzindo barqueiros
Sorrindo pra lavadeira
Brincando com as crianças
Vou florindo a aroeira
Sem querer, somente sendo
Vou todo dia aprendendo
Pra me tornar cachoeira
Água que conduz a vida
Molha as mãos da parteira
Dilui na eternidade
Brota frutos na videira
Já não me sinto mais um
Sou as águas de Oxum
Pra me tornar cachoeira
Ingenuidade a minha
E de minha rica cegueira
Bem diante dos meus olhos
O tempo virou poeira
Tudo sempre foi assim
Estava dentro de mim
Eu sempre fui cachoeira
Poesia do ser
Essa poesia inicia um novo memento em minha vida, não sei dizer se é a maturidade que vai chegando. Percebi que qualquer extremo é ruim, que o caos dentro de nós é bom.
Uma cachoeira é caótica, cheia de altos e baixos, pedras e também calmaria, seu som acalma a alma. Eu quero apenas ser, viver e deixar o curso da vida acontecer durante minha evolução e revolução, ou seja, simplesmente ser cachoeira.
William Prado
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