Sinhô e Sinhá – Poema de William Prado

Sinhô e Sinhá
Já pensou SINHÔ se fosse assim?
Um dia desse nois trocasse de lado,
Eu rico e o sinhô assalariado.
Logo cedo eu comia canapé,
E tu madrugava pra passa o café.
Deitava na rede pra ler o jornal,
E vós recolhendo roupa no varal.
Eu com aquela preguiça infinita,
E o sinhô correndo com a sua marmita
Cantando galope na beira do mar.
Já pensou sinhá se fosse assim?
A senhora lavadeira e eu madame.
Eu na vida boa e sinhá no arame.
Eu acordava linda e penteada,
E a senhora toda desarrumada.
Na minha mesa tudo de primeira,
E tu fritando ovo na frigideira.
Pra mim fartura não ia ser pouca,
Enquanto vós mercê lavava roupa
Cantando galope na beira do mar.
Já pensou sinhô se fosse assim?
Minha conta com tutu a dar com pau,
E a sua só no cheque especial?
Só me pondo em rico vestuário,
Agora viva tu com meu salário.
Faça seu jantar com menos talher
E escolha um presente pra mulher.
Que seja simples, de pouca valia,
E que a faça caminhar com alegria
Cantando galope na beira do mar.
Já pensou sinhá se fosse assim?
Se em vez de carimbo na carteira,
Escovão e diploma de faxineira,
Na juventude de minha idade
Eu ganhasse bolsa na faculdade,
Com direito a baile de formatura.
E crescesse na vida com estrutura.
Quem pra senhora ia fazer faxina?
Se eu fosse passar férias na China
Cantando galope na beira do mar.
Já pensou meu sinhô e minha sinhá?
Sem desmerecer sua riqueza,
Olhe bem pra tudo que tem na mesa,
Pra que tanto desperdício e firula?
Tantas terras e tantos bens que acumula,
Sei que no capitalismo não é crime,
Mas pra ter tanto alguém se reprime.
Se tiver menos lanchas em seu cais,
Um pobre viveria um pouco mais
Cantando galope na beira do mar.
Por isso meu sinhô e minha sinhá,
Que lá da elite tem procedência,
Peço-te que use de paciência,
Pois tu não tinha carro importado
Se dez pobre não tivesse montado.
O que tu paga num pedaço de pano,
A empregada não ganha em um ano.
Por que não pensar melhor nesse custo?
Pra trilharmos um caminho mais justo
Cantando galope na beira do mar.
Digo pra meu sinhô e minha sinhá
Que vossa senhoria faça um teste,
Tens mesmo algum amigo que preste?
Que lhe procure não só por dinheiro,
E na “pricisão” seja bom companheiro,
Que não de importância pra presente,
Por que bom mesmo e tá junto gente.
E ainda com os defeito e as fáia,
Queira caminhar junto pela praia
Cantando galope na beira do mar

*William Prado – Escritor, poeta, professor e criador de conteúdo do perfil Leitura de Cabeceira (@leituradecabeceira). Um canal dedicado a falar de livros de forma simples desmistificando a elitização do hábito de ler. ( Tik Tok, Instagram, Facebook e YouTube ).
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Sempre os melhores cordéis. Parabéns
Aí sim, grande William! Poema top! Sempre com o trabalho do @leituradecabeceira, descomplicando a leitura e trazendo reflexão nos vídeos com humor
Sempre sábias palavras!
A rima é ótima Professor, mas a intencionalidade é melhor ainda. Parabéns, é sempre bom ler suas obras.
Já pensou se quem acha caro pagar um salário mínimo tivesse de viver um ano com o que paga, ia ser um desatino( tentei frasear mas não tenho o talento e a disposição deste que já podemos chamar de mestre do cordel)
Parabens William, muito top. Vou pegar meu bom café e aguardar os próximos poemas.
William, um prazer enorme ler o seu texto aqui no Entrementes, muita honra. Pedi ao Joka para lhe enviar um recado de que sou sua fã lá no Tik Tok, que gosto muito do seu conteúdo. Ando distante daquela plataforma, um pouco de preguiça, mas quem sabe ela passe…estou esperando passar. Sabe, dia desses, vou te conhecer, falar pessoalmente e levar as revistas. Não sou muito de conversar nessas plataformas prefiro pessoalmente. Fico muito agradecida e envie mais seus poemas e suas histórias.
Um grande e fraterno abraço!
Elizabeth