Tirei férias da tragédia…

No quarto escuro de um hotel barato, não ligo a televisão e nem o YouTube. Não quero ouvir notícias por um mês, apenas 30 dias de férias de todas as tragédias humanas…peço aos deuses uma folga necessária e saio por aí em busca de algo que me dê prazer.
Voltei para os braços quentes e avermelhados da minha terra Natal. É o abraço da Mãe como diz o bioquímico inglês, Rupert Sheldrake. Mesmo quando a mãe vira uma madrastra vez ou outra, mas a terra continua a mesma. Andei daqui prá lá, de lá prá cá a pé, de carro e de ônibus e a cada trecho percorrido, calculava dentro de mim o espaço tempo da relatividade. É “Como Si Fueras a Morir Mañana”, mas hoje não, como na nossa canção, Edson Souza… Ainda não é hoje que vou partir e por isso aproveito cada minuto, como se o último fosse e vivo intensamente o aqui e agora.
Tomo café com biscoito, almoço numa pamonharia, compro produtos naturais e não penso em nenhum momento no que está acontecendo no mundo…e proíbo qualquer um de me contar. Não quero saber e tenho raiva de quem sabe e só no dia 29 de maio, volto a olhar para o mundo. Espero que ele esteja bem, que ainda respire o ar que me roubou.
Releio “O Morro dos Ventos Uivantes” durante toda a viagem e vejo a paisagem pela janela, me recuso a assistir o filme, por isso, prefiro reler o livro…num dia nublado, gosto de ouvir a melancolia do Leiva, espero que ele não desapareça de vez. Ele é tão magro que às vezes penso que vai sumir, levado pelo vento. O silêncio dentro de mim é curativo e sigo apenas olhando pela janela. E o sol aparece, vem trazendo seus últimos instantes no horizonte, só para mostrar o seu brilho e a sua clareza que mexe comigo. O seu calor me aquece e fico leve, com a alegria dos desesperançados, mas contagiante.
Converso com estranhos como se fossem conhecidos, falam coisas triviais e eu presto atenção para me concentrar no cotidiano e não refletir muito…estou de folga dos meus pensamentos mais sóbrios, deixo eles escondidos naquela sacolinha que o Sandman me emprestou…Troco os pensamentos pela areia que brilha, Sandman espalha areia (de graça) pelos meus olhos, enquanto ri da minha falta de noção. Ah, Sandman, me carrega em seus braços para o mundo dos sonhos. E quando eu voltar, vou me embora para a CyberGarage e tomar uma groselha.
Viajo na viagem!
…mas sempre volto!
Elizabeth de Souza
240526
@portalentrementes Da janela dos meus olhos o sol se desenha nas nuvens nubladas. Em dias nublados gosto de ouvir o Leiva enquanto aprecio a paisagem. #passeios #paisaje #estrada #foryou #foryoupage @Entrementes
@portalentrementes Vou seguindo o sol até ele se pôr, majestoso. #passeios #pordosol #estrada #foryou #foryoupage @Entrementes
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