Tremendos Tesouros – Álbum musical
Tremendas canções! Tremenda cantora! Tremendos tesouros!
Por Alex Bicudo
Você gosta de viajar? E de encontrar boas surpresas? Sim? Então ouça “Tremendos Tesouros”, um lindo trabalho da cantora — e que cantora! — Tânia Reis. As letras são de Paul Constantinides, e o time de músicos é de primeira grandeza. Diferentemente do que cantam os Novos Baianos, sim: essa é uma estrada. E também uma viagem. Vamos correr com os cabelos ao vento em busca desses tesouros? Ah, aqui é permitido pisar na grama!
Abrindo o álbum, a faixa-título nos leva à beira do mar. Faça esse exercício: ouça-a de olhos fechados e você entenderá facilmente o que quero dizer. Na sequência, “Aventura é Amar” é um fado psicodélico que também nos faz viajar. Aliás, ao longo de todo o disco é impossível não viajar.
O instrumental salta aos ouvidos, mudando de tonalidade ao lado de uma letra esperta. “Amor Natural” nos leva novamente para o mar. Vale destacar o belíssimo trabalho instrumental, com arranjos inspirados e execuções sublimes que permeiam todo o percurso. Mas também, com tanto talento se revezando faixa a faixa, só poderia dar em coisa boa — ou melhor, em tremendos sons e ambientações.
“Moço” chega em forma de samba-rock, com direito a um trio de metais e um swing irresistível. Vamos para a roça? É para lá que “Cantoria do Beleléu” nos leva, embalada por uma percussão elegante e uma viola com perfume pinkfloydiano. “Maria Inês” nos lembra que o tempo passa depressa e, quando percebemos, já estamos na metade do álbum, agora com uma pegada de rock inglês. Aqui, a guitarra chora.
Antes de prosseguirmos, preciso falar da dona da voz: a intérprete sensível e versátil que é Tânia Reis. Com uma bagagem que não pesa, ela encara qualquer desafio sem bambear, com firmeza, elegância e sutileza. Como uma equilibrista na corda bamba, sem rede de proteção, ela se entrega por completo e transborda as emoções que cada canção pede e exala. É a meio-campista que domina a bola, escolhe a melhor jogada — perdoem o trocadilho futebolístico — e faz o time render o máximo. E que time! Há tanta gente talentosa nas composições, nos arranjos e nas
execuções que seria preciso recorrer à ficha técnica para citar todos.
Temos aqui um trabalho vigoroso e vertiginoso, cheio de nuances. Preciso repetir: isto é uma viagem. E das boas!
Chegamos a “Sol em Escorpião”, um registro ao vivo em parceria com Alê Freitas. Voz e violão bastam para preencher todo o ambiente. Sigamos em frente. “Dourar” é um samba-bossa bem gostoso, com um arranjo que ainda traz o ronco da cuíca. Sabe aquele sambinha gostoso para dançar junto? É esse. “Maria do Bem” mantém a cadência do samba. Fui logo buscar minha caixinha de fósforos para acompanhar. Que delícia!
Vamos dar uma volta pela história — e pelas estórias — de Jacareí? É o convite de “Jacarehy”, que ainda abre espaço para um rap com a participação de Gabriel Reis. E que guitarra é essa? Cheiro de rio e de terra batida nos invade em “Rio Ainda”, como se ainda fosse possível navegar e pescar no velho Paraíba. E que violinha!
Para encerrar, “Tramas” veste-se a caráter, com violinos sob medida que conduzem a um desfecho elegante e emocionante.
Eu falei em final? Não. “Tremendos Tesouros” é um álbum tão especial que, mesmo quando termina, continua ecoando na mente. Sabe aquela viagem que parece não ter fim? É exatamente isso que você encontra aqui.
Deleite-se.

Com alegria estamos divulgando o lançamento do álbum Tremendos Tesouros, a partir do dia 16 de julho em diversas plataformas digitais. Álbum totalmente produzido em Jacarei, com músicos locais e autorias locais. Sao 12 faixas onde a voz inconfundível da cantora desfila seu talento. A capa do álbum feito pela artista plástica Luanda Soares.
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