EM CLIMA DE COPA
Na sexta-feira do feriado prolongado de Corpus Christi um sol morno iluminava São José.
Naquela manhã, ao subir a ladeira que é a rua onde moro na Vila Maria (e diga-se de passagem, o bairro todo é uma gigantesca ladeira), bem na esquina encontrei um amigo. Todo sorridente, vestia uma camisa do Botafogo do Rio de Janeiro.
Observando aquela estrela solitária na camisa, me bateu uma saudade imensa de Mané Garrincha e seus dribles desconcertantes. E não dá para pensar em Garrincha sem lembrar a Seleção Brasileira vitoriosa daqueles velhos tempos.
Na primeira Copa conquistada, em 1958, Garrincha e o adolescente Pelé encantaram o mundo.
Em 1962, o Brasil foi bicampeão. Pelé lesionou-se na segunda partida e a partir dali Garrincha carregou o time nas costas.
Vi o Mané jogar várias vezes. Ele se divertia. com a bola. Sofriam os adversários e nós brasileiros vibrávamos com tanta arte nos pés. Morreu pobre e alcoólatra.
A Copa do Mundo começa dentro de alguns dias. A “pátria de chuteiras”, como o dramaturgo Nelson Rodrigues chamava a Seleção, estreiará dia 13 de junho contra o Marrocos. Há um sentimento generalizado de descrença por parte dos torcedores. O povo já não se identifica tanto com a Seleção Brasileira como no passado. Nossos principais jogadores atuam em clubes europeus. O treinador é italiano e mal conhece o futebol brasileiro. Falta aquela proximidade capaz de gerar calor e empolgação. E, para completar, essa nova safra de craques não tem a qualidade daqueles que brilharam décadas atrás.
Todavia, a conquista do hexacampeonato não é impossível. Mas, convenhamos, vai depender de muita superação, aliada a uma pitadinha de sorte.
Por Gilberto Silos
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