Feira do Colonial: a vida explode no sol de outono
João Carlos Faria
Domingo de uma emenda de feriado. Decidi visitar a Feira do Colonial, um bairro da Zona Sul de São José dos Campos, interior de São Paulo, Vale do Paraíba. Levantei-me decidido a não abrir a caixa de Pandora, no caso, o celular. Café tomado… dez horas da matina… Da Zona Leste, Vila Industrial, atravessei a cidade a braçadas. Ônibus elétrico em frente a um shopping… E, finalmente, na feira.
Músicas ao vivo… Casa de Cultura fechada, sem presença da Fundação Cultural Cassiano Ricardo. Mas a arte emerge da vontade humana de viver. E a vida ali explodia em música nordestina… Uma rádio de feira… Milhares de pessoas vão às compras… Comerciantes desde às três da madrugada para ganhar a vida. Inúmeras barracas de livros, sebos. Nada de intervenções artísticas conceituais. Quando o povo respira para voltar à rotina.
Calor, sol, açaí na barraca Espetinho do Joel… ai, que açaí. Não me aventurei com frituras, pastéis… Mas as pessoas estão ali, livres e soltas, simplesmente vivendo um dia de cada vez.
Imagine um sarau no meio desta multidão? Poetas, atores, músicos, teatro? Exposições de artes? Cadê a querida Fundação Cultural Cassiano Ricardo? Alguma ONG querendo se projetar? Há que ter projetos? Restaurante da Baiana, que faço questão de ir um dia comer num domingo.
Voltarei… voltarei… ônibus elétrico. Imaginem na campanha eleitoral deste ano? Viver… viver… enquanto temos saúde… respiramos…
Se vier a São José, visite… todos os domingos, a maior feira da cidade… Eu instalaria ali um ponto de cultura… Pois a vida ali flui… E a arte nos salva de nossa ignorância.
Voltei para casa com Casa-Grande & Senzala, de Gilberto Freyre…

João Carlos Faria
19 de abril de 2026, domingo.
https://www.youtube.com/watch?v=CB5P3tay1Bo
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Que passeio bom, Joka!