São Silvestre 2014

31-12-2014

90ª São Silvestre 2014

Último dia do ano é dia da última corrida também… e da mais tradicional delas, a Corrida Internacional de São Silvestre! E novamente o Entrementes estava lá, cobrindo e participando da prova, para contar tudo para vocês em seguida. Quem leu meu relato do ano passado “Um Saci na São Silvestre”, sabe do sacrifício que foi terminar a corrida, por causa de uma contratura na panturrilha, ocorrida logo no início da prova. Tudo que eu queria este ano era poder fazer uma corrida totalmente livre de lesões, para poder apagar de vez o fantasma do ano passado, mas o Universo não quis assim, e em setembro eu tive séria lesão no joelho, que me fez parar de correr até o começo de dezembro. Voltei de forma muito tímida, treinei como dava e fui pra corrida com ele curado em uns 80%. A ideia era correr de forma um pouco mais tranquila, sem forçar, para chegar ao final sem problemas. Mas as dores sentidas nele vinham muito mais após as corridas nos treinos do que durante os mesmos, eu estava confiante em fazer uma prova razoável.

 

No dia da prova, tivemos um susto logo de madrugada… o ônibus que levaria os atletas daqui, que é cedido pelo Poder Público e que é capitaneado pelo corredor Dutra, simplesmente não apareceu. Há mais de uma década o Dutra leva os atletas de SJC para a São Silvestre sem cobrar um tostão, e nunca havia tido problema algum… não sabemos o que aconteceu, mas é certo que ele não teve culpa alguma nisso. Tivemos que bolar um plano de emergência rapidamente, e decidimos ir de carro, dividindo os custos da viagem. Por sorte ainda era cedo, e conseguimos chegar na capital paulista ainda faltando uma hora para o início da corrida, que foi às 9h.

O percurso teve ligeiras alterações este ano, o que o tornou um pouquinho maior… foram ao todo 15450 metros, segundo o GPS. A Largada foi facilitada, pois a organização agora liberou as duas pistas da Paulista, o que foi uma mudança muito bem-vinda. E partimos! 24 graus Celsius, muito sol e calor… imagine se a corrida ainda fosse à tarde? Nem quero pensar! Como não tenho nenhuma preocupação com tempo, eu novamente larguei lá de trás, e levei cerca de 10 minutos para conseguir passar pela largada propriamente dita. Vale citar a tentativa da organização de melhorar a largada, utilizando o recurso usado nas maratonas, que é dividir o setor das largadas por cores. O atleta informa durante o ato da inscrição o tempo que ele planeja fazer na prova e larga num setor com atletas de desempenho igual. Isso ajudaria muito, SE as pessoas respeitassem as divisões… mas na prática, a maioria vai o máximo pra frente na hora da largada, para aparecer na televisão, e como não há fiscalização, essa divisão da largada por setores acaba de nada adiantando. Uma pena. Logo após a largada na Avenida Paulista, dobramos para a esquerda (ao se olhar à direita, dá saudade dos tempos do percurso mais tradicional, onde descíamos a Consolação), em direção à Avenida Doutor Arnaldo. Passando pelo Km 1, lembrei-me do ano anterior, pois foi ali que minha lesão havia voltado… mas passei sem problemas desta vez, com muito alívio. Seguimos em frente até a Rua Major Natanael, passando ao lado do belíssimo Cemitério do Araçá, um dos mais adorados pelos apreciadores de subcultura gótica, como eu. Depois pegamos a perigosa descida íngreme da Rua Desembargador Paulo Passalaqua e seguimos para a Avenida Pacaembu, passando próximo ao icônico estádio Paulo Machado de Carvalho, o famoso Pacaembu. 3 Km já haviam sido percorridos e tudo estava bem com o joelho, o que me animou bastante. Mas mesmo que estivesse 100%, a velocidade ali não poderia ser muito diferente, tal o “engarrafamento” que os 30 mil inscritos faziam, isso sem falar com os que param para tirar as malfadadas “selfies”… mas a São Silvestre é mais do que uma corrida, é uma grande festa popular, e há que se compreender isso. Chegou o primeiro posto de hidratação, e para variar, a água estava praticamente em temperatura ambiente… mas pelo menos trocaram as garrafinhas do ano passado por copos, o que é mais prático, já que as tampinhas das garrafas tornavam o chão muito perigoso. Era pisar em uma e ir ao solo. Depois de um longo trecho na Avenida Pacaembu, chegamos à Rua Margarida e logo em seguida à Alameda Olga, com sua subida curta mas desafiante… diminuí a passada para o joelho não reclamar. A seguir veio a Rua Tagipuru, deixamos também a Rua Fuad Naufel para trás e entramos na Avenida Auro Soares de Moura Andrade, onde chegamos novamente à Avenida Pacaembu… deu vontade de ficar embaixo do viaduto Pacaembu ali, para fugir do sol de 26 graus. Avenida Marquês de São Vicente, Km 7, quase metade da prova! O joelho estava apenas “pesado”, com uma ou outra pontada ocasional de dor, nada que realmente atrapalhasse. Bastaria seguir neste mesmo ritmo que eu chegaria ao final. Neste mesmo quilômetro havia outro posto de hidratação, e peguei dois copinhos… um para beber e outro para jogar no corpo. Este ano tinha mais pessoas assistindo a prova, acho que o paulistano está se acostumando com o fato da São Silvestre ser agora de manhã… isso é muito bom! A energia que o povo nos passa é vital, em dúvida. Passamos pela Rua Norma Pieruccini Giannotti, Avenida Rudge e Viaduto Orlando Murgel, e chegamos à Avenida Rio Branco… já era o Km 10! Mais um terço apenas de prova e chegaríamos na Paulista novamente. Depois da Rio Branco, chegamos à Avenida Ipiranga para logo em seguida viramos na esquina mais poética da cidade, no cruzamento com a Avenida São João! Eu não resisto e costumo cantarolar a famosa música toda vez que passamos por esta parte. Veio o Largo do Arouche, a Avenida Vieira de Carvalho, a Praça da República e de novo a Ipiranga até dobrarmos na… Avenida São João! Exatamente… a mudança no traçado da prova agora faz os atletas cruzarem duas vezes a famosa esquina, fazendo alguma coisa acontecer em seus corações, de forma dobrada. E como se já não fosse suficiente, esse vai e volta por ali formou um coração no traçado! Vejam na ilustração…

 

Seguindo pela São João, passamos em frente à Galeria do Rock, onde sempre solto meu tradicional grito de ” Viva o Rock n’ Roll!”, fazendo o horns up com ambas as mãos. Logo depois veio o Largo Paissandu e a Rua Conselheiro Crispiniano, e passamos pelo portentoso Teatro Municipal, seguindo para o Viaduto do Chá. Rua Líbero Badaró e Largo São Francisco deixados para trás e finalmente chegamos à tão famosa e temida Avenida Brigadeiro Luís Antônio, com seus 2 Km de subida íngreme e desafiadora. Meu joelho apenas dava uma ou outra pontada de vez em quando, bastava não abusar do ritmo que tudo terminaria bem, mas cá entre nós, quem disse que eu tinha gás para aumentar a velocidade com o final da prova se aproximando? Com ou sem lesão, o ritmo até o fim seria aquele mesmo, nada de loucuras desta vez! Peguei dois copos de água no primeiro posto de hidratação da Brigadeiro… existe mais um no final dela, mas eu sempre o ignoro, pois acho perda de tempo, com o final da prova tão próximo. Em tempo, eu acho desnecessário para mim, mas este posto no final do “morro” é o mais importante para muita gente, então é muito bom que ele esteja lá. Terminada a Brigadeiro, foi fazer a curva para a direita, entrar na Paulista e correr para o abraço até a altura do número 900, no prédio da Gazeta, onde fica a chegada… nada de sprint final ou coisa parecida, o negócio era cuidar do joelho, como tinha feito bem durante toda a prova. E assim chegamos ao final de mais uma São Silvestre! A temperatura marcava 27 graus, mas a sensação era de muito mais. Meu tempo ficou em lentos 1h32min, distantes 11 minutos de meu recorde, mas já fiquei satisfeito em terminar sem estar mancando. A média de batimentos cardíacos ficou em 170, e o pico dos batimentos bateu em 186 por minuto. Depois foi pegar minha merecida medalha e já começar a pensar nas próximas corridas… Conectando ideias, conectando corridas de rua!

DALTO FIDENCIO nils satis nisi optimum

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90ª São Silvestre 2014 – Classificação Prova Masculina

1. Dawit Admasu (Etiópia) – 45min04s

2. Stanley Koech (Quênia) – 45min05s

3. Fabiano Naasi (Tanzânia) – 45min10s

4. Mark Korir (Quênia) – 45min19s

5. Giovani dos Santos (Brasil) – 45min22s

90ª São Silvestre 2014 – Classificação Prova Feminina

1. Ymer Wude Ayalew (Etiópia) – 50min43s

2. Netsanet Gudeta Kebede (Etiópia) – 50min46s

3. Priscah Jeptoo (Quênia) – 51min29s

4. Feyse Tadese Boru (Etiópia) – 52min31s

5. Delvine Relin Meringor (Quênia) – 52min34s

 

 

 

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